O tempo do bloco chegou ao fim.
Liderança e Voluntariado
"Mas entre vós não será assim; pelo contrário, qualquer que quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será escravo de todos."
Marcos 10.43-44Existe um momento na vida de quem lidera que é delicado de admitir.
É quando começamos a nos preocupar mais com o nosso lugar do que com o nosso serviço.
Começamos a observar quem está crescendo mais, quem está sendo mais reconhecido, quem tem mais espaço. E aí, sem perceber, paramos de servir para começar a nos posicionar.
O ministério continua. As reuniões continuam. Mas a motivação mudou. Já não é mais pelo Reino. É pela nossa posição no Reino.
Isso não é maldade. É natureza humana. Mas Jesus tinha algo a dizer sobre isso.
"O mundo ensina que liderar é estar no topo. Jesus ensinou que liderar é descer."
Os discípulos estavam discutindo entre si quem seria o maior no Reino. A mãe de Tiago e João chegou a pedir lugares especiais para os filhos. Era uma disputa aberta por posição.
E Jesus não os repreendeu com um sermão sobre humildade. Ele fez algo mais radical.
Ele redefiniu o que é ser grande.
"Qualquer que quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva." Isso não é uma regra nova. É uma nova realidade. No Reino de Deus, a grandeza tem outro endereço.
O mundo mede grandeza por quantas pessoas obedecem a você. Jesus mede grandeza por quantas pessoas você serve.
O mundo pergunta: quantos estão sob a sua liderança?
Jesus pergunta: quantos você levantou?
"No Reino, a grandeza não sobe. Ela desce. Ela se ajoelha. Ela serve."
"Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos."Marcos 10.45
Quero falar especialmente para quem está aqui como voluntário.
Às vezes existe uma hierarquia não dita dentro da igreja. O pastor no topo, depois os líderes, depois os voluntários. Como se o voluntário fosse o que restou depois que os cargos foram distribuídos.
Essa lógica precisa ser destruída hoje.
Voluntário não é quem sobrou. É quem escolheu. E essa distinção muda tudo.
Em 1 Crônicas 29, Davi faz uma pergunta para todo o povo: "Quem quer oferecer voluntariamente ao Senhor?" E a resposta foi uma avalanche de generosidade. O texto diz que o povo se alegrou por oferecer de boa vontade.
O voluntário não é o último na fila. Ele é o que deu o primeiro passo quando ninguém obrigou.
Isso é raro. Isso é poderoso. E isso é exatamente o que Deus honra.
"Quando servimos sem que ninguém nos obrigue, revelamos o que há dentro do nosso coração."
"E o povo se alegrou por terem oferecido voluntariamente, pois com coração íntegro ofereceram voluntariamente ao Senhor."1 Crônicas 29.9
Mas precisamos ser honestos sobre algo.
Servir tem um custo. Servir cansa. Servir às vezes não recebe obrigado. Servir significa aparecer quando ninguém está olhando, fazer o que ninguém quer fazer, ficar quando todo mundo foi embora.
É exatamente aí que o caráter do líder é formado. Não no palco. Nos bastidores.
Na última ceia, Jesus sabia que a cruz estava a horas de distância. O peso que carregava era impossível de medir. E mesmo assim, o texto diz que ele se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e começou a lavar os pés dos discípulos.
No momento mais pesado da sua vida, ele ainda serviu.
Isso não é uma história bonita para pregação. É o padrão que Jesus estabeleceu para quem quer liderar no seu nome.
Não é o líder que serve quando está com vontade. É o que serve quando não está.
"O serviço que Deus mais honra não é o que aparece. É o que permanece quando ninguém está vendo."
"Jesus, sabendo que o Pai lhe havia dado todas as coisas nas mãos... levantou-se da ceia... e começou a lavar os pés dos discípulos."João 13.3-5
Fale devagar. Olhe para a sala. Deixe espaço para cada pergunta pousar antes de passar para a próxima.
Antes de sairmos daqui, uma pergunta para cada um de nós, respondida por dentro, com honestidade:
Estamos servindo, ou estamos nos posicionando?
Estamos no ministério para dar, ou para ganhar algo?
Porque Jesus não precisa de pessoas bem posicionadas na Igreja.
Ele precisa de pessoas dispostas a lavar os pés.
O desafio para esta semana:
Façamos uma coisa que ninguém vai ver. Sirvamos em silêncio. Ajudemos sem postar, sem contar, sem esperar agradecimento. E observemos o que acontece com o nosso coração.
Não use declaração coletiva aqui. O silêncio depois do desafio já é poderoso. Deixe as pessoas ficarem com isso por dentro antes da dinâmica.
Entregue um papel dobrado para cada pessoa. Peça que abram e peguem uma caneta.
Cada pessoa responde por escrito as duas perguntas abaixo, em silêncio:
Não é necessário compartilhar. O ato de escrever já é um ato de honestidade e entrega diante de Deus.
Peça que cada um dobre o papel e guarde. Esse papel será um lembrete concreto durante a semana.
Sugestão: peça que coloquem o papel na carteira, na bolsa ou na agenda. Em algum lugar que vão ver nos próximos dias.
O facilitador faz uma síntese curta e encaminha para o próximo bloco: